Em seu livro “A Era dos Extremos”, Eric Hobsbawm dedica um capítulo à “Revolução Cultural”. Mas como se deu essa revolução?

   Até o fim do século XIX, na maior parte do mundo as famílias eram formadas por um casal, que seu casou formalmente e teve filhos. Essas famílias possuíam valores que foram passados através de gerações, como o patriarcado, a exclusividade de relações sexuais com os conjugues, a submissão da mulher ao marido, a idéia de um casamento para a vida inteira, a heterossexualidade, a inferioridade do jovem aos mais velhos.

   Todavia, segundo Hobsbawm, na segunda metade do século XX, essas antigas estruturas começaram a mudar rapidamente, principalmente nos países “desenvolvidos”. Na Inglaterra, por exemplo, em 1938 aconteceu um divórcio para cada 58 casamentos, já em meados da década de 80 a proporção era de um divórcio para cada 2,2 casamentos.

   A principal causa dessa tendência foi a busca do direito individualista, direito esse que também foi buscado pelos jovens, que também eram considerados submissos já que ainda não tinham amadurecido por completo. Com isso a juventude conquistou uma nova “autonomia” transformando-se em uma camada social separada e independente.

   Nesse período o poder aquisitivo da geração dos pais era maior que a dos seus antecessores, agora os pais não precisavam mais do salário de seus filhos adolescentes para manter a família, graças a essa prosperidade os jovens passaram a ter poder de compra e o mercado se voltou a eles. O rock e o blue jeans se tornaram marcas da nova juventude, e isso se internacionalizou, a hegemonia cultural do EUA era clara no estilo de vida da juventude ocidental.

   À procura da liberdade e do individualismo a sociedade mudou, práticas que antes seriam condenadas agora eram tratadas com mais tolerância como; a homossexualidade, a prática do sexo casual, a busca pelo prazer feminino, o uso de drogas, as relações bissexuais.

   Hobsbawm afirma que “A revolução cultural de fins do século XX pode assim ser mais bem entendida como o triunfo do indivíduo sobre a sociedade, ou melhor, o rompimento dos fios que antes ligavam os seres humanos em texturas sociais.”

  

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